O par GBP/USD perdeu cerca de 220 pips entre a noite de quarta-feira e a quinta-feira, e essa talvez seja até uma estimativa conservadora. Já abordamos os motivos da queda do par no artigo sobre o EUR/USD publicado após a reunião do FOMC. Os resultados da reunião do Banco da Inglaterra (BoE) também podem ser considerados mais hawkish do que o mercado previa. Diante da inflação elevada, que praticamente dobrou em apenas três meses — e cujo processo de aceleração ainda não parece concluído —, o Federal Reserve (Fed) foi levado a abandonar a perspectiva de cortes graduais de juros e a considerar novos aumentos das taxas. Nesse contexto, a valorização do dólar americano na quarta-feira foi plenamente justificável. Mas o que explica sua continuidade na quinta-feira?
Na quinta-feira, o BoE divulgou o resultado de sua reunião, que praticamente não trouxe surpresas. O banco central manteve a taxa básica de juros inalterada, enquanto dois membros do Comitê de Política Monetária votaram a favor de uma alta de 0,25 ponto percentual. O número de integrantes com posição hawkish já havia sido indicado pela maioria das previsões oficiais divulgadas no dia anterior. Entretanto, na própria quinta-feira, parte dessas projeções foi revisada, passando a apontar que apenas um membro votaria pelo aperto monetário. Na prática, foram dois. Assim, os resultados da reunião do BoE também podem ser descritos como ligeiramente mais hawkish do que o esperado.
Mesmo desconsiderando essa revisão de última hora, o mercado já esperava uma votação de "0-2-7" e recebeu exatamente esse resultado. Então, o que motivou a queda da libra esterlina? A única explicação plausível seria a expectativa de uma postura ainda mais hawkish por parte do Banco da Inglaterra. No entanto, essa hipótese perde força quando analisamos os dados: a inflação no Reino Unido recuou para 2,8% nos últimos dois meses, ficando inclusive abaixo do nível observado antes do início do conflito com o Irã e do consequente choque energético. Se o BoE vinha demonstrando inclinação para flexibilizar sua política monetária, por que passaria agora a defender um aperto mais agressivo?
Além disso, a libra começou a cair antes mesmo da divulgação da decisão do Banco da Inglaterra e antes dos comentários de Andrew Bailey, que, por sinal, apenas reconheceu a possibilidade de uma leve aceleração da inflação até o fim do ano. Ainda assim, não há garantia de que isso realmente ocorrerá.
Dessa forma, concluímos que o mercado continuou reagindo, na quinta-feira, aos desdobramentos da reunião do FOMC. Foi justamente esse evento que desencadeou a forte valorização do dólar americano.
Vale lembrar que, quando os resultados da reunião do FOMC foram divulgados na noite de quarta-feira, os mercados europeus já estavam fechados. Assim, muitos participantes europeus não tiveram oportunidade de reagir imediatamente à notícia. Na manhã de quinta-feira, porém, os traders passaram a ajustar suas posições desde os primeiros momentos da sessão europeia.
Também é importante destacar que a taxa de desemprego do Reino Unido caiu para 4,9% em abril, resultado que, em condições normais, deveria ter favorecido a libra esterlina. Ontem, alertamos que não era prudente tirar conclusões precipitadas logo após a divulgação dos resultados do FOMC. O mercado geralmente precisa de cerca de 24 horas para assimilar plenamente novas informações e ajustar suas posições. Como se viu, a reação observada na quinta-feira foi quase duas vezes mais intensa do que a registrada imediatamente após o anúncio da noite de quarta-feira.

A volatilidade média do par GBP/USD nos últimos cinco dias de negociação é de 89 pips. Para o par libra/dólar, esse valor é considerado "médio". Na sexta-feira, 19 de junho, espera-se que o par se mova dentro de uma faixa limitada pelos níveis 1,3126 e 1,3304. O canal de regressão linear superior está direcionado para cima, indicando a recuperação da tendência de alta. O indicador CCI entrou na zona de sobrevenda pela segunda vez, alertando para um possível fim da tendência de baixa.
Níveis de suporte mais próximos:
- S1 – 1.3184
- S2 – 1.3123
- S3 – 1.3062
Níveis de resistência mais próximos:
- R1 – 1.3245
- R2 – 1.3306
- R3 – 1.3367
Recomendações de negociação:
O par de moedas GBP/USD mantém uma tendência de baixa. As políticas de Trump continuarão a exercer pressão sobre a economia dos EUA, por isso não esperamos crescimento de longo prazo do dólar norte-americano. No entanto, 2026 atualmente parece extremamente positivo para o dólar devido a fatores geopolíticos e, agora também, devido à disposição do Fed em elevar a taxa de juros. Assim, as posições de compras com alvos em 1,3428 e 1,3489 podem ser consideradas quando o preço estiver acima da média móvel. Se o preço estiver abaixo da linha da média móvel, posições vendidas podem ser iniciadas com alvos em 1,3184 e 1,3126.
Explicação das ilustrações:
- Os canais de regressão linear ajudam a identificar a tendência atual. Se ambos estiverem apontados na mesma direção, isso indica uma tendência forte no momento.
- A linha da média móvel (configurações: 20,0, suavizada) determina a tendência de curto prazo e a direção na qual as negociações devem ocorrer no momento.
- Os níveis de Murray são níveis-alvo para movimentos e correções.
- Níveis de volatilidade (linhas vermelhas) representam o provável canal de preço no qual o par deverá se movimentar ao longo do próximo dia, com base nos indicadores atuais de volatilidade.
- A entrada do indicador CCI na zona de sobrevenda (abaixo de -250) ou na zona de sobrecompra (acima de +250) indica que uma reversão da tendência na direção oposta está se aproximando..